Processo e tradução

Extraido do livro de Kobus Marais: “Este livro não é, portanto, sobre coisas. Ele é sobre processos” (Marais, 2019, p.5). A tradução é um processo, e seus “componentes” (signos, objetos, interpretantes) são processos.

A teoria dos signos de Peirce é processualista. O processualismo refere-se à aplicação de uma ontologia e uma epistemologia de processos, em oposição a uma ontologia e uma epistemologia de substâncias. Uma ontologia de processos enfatiza propriedades emergentes, e enfatiza a mudança como building-block mais fundamental que a estabilidade. Ela contrasta com uma ontologia de substância, que enfatiza propriedades intrínsecas de substâncias e a estabilidade como mais fundamental que a mudança.

Na semiótica peirceana, a noção mais fundamental que representa essa preocupação processualista é a de hábito. Um hábito é um “padrão de restrições”, e muitas vezes é definido como uma “proposição condicional” — certas coisas aconteceriam sob certas circunstâncias (Peirce EP 2.388). Ele é definido também como uma “regra de ação” (Peirce CP 5.397, CP 2.643), uma disposição para agir de certas maneiras sob certas circunstâncias, especialmente quando o agente é estimulado, animado ou guiado por certos motivos (Peirce CP 5.480). Na filosofia peirceana, a aquisição de regularidades estáveis ​​é descrita como um processo para “adquirir hábitos”. Ele é probabilístico e cumulativo. Essa visão, de mudança e estabilidade através do acúmulo de regularidades auto-geradas, está no centro do processo da semiose, uma vez que “o que uma coisa significa é simplesmente quais hábitos ela envolve” (Peirce CP 5.400).

peirce

Tenho explorado há muitos anos esse tema (semiosis como processo), sobre o qual tenho publicado com diversos co-autores: Floyd Merrell, Charbel El-Hani, Angelo Loula, Pedro Atã. (publicações)

João Queiroz & Pedro Ata

%d bloggers like this:
close-alt close collapse comment ellipsis expand gallery heart lock menu next pinned previous reply search share star