Photopoetry, a tese de Michael Nott

A tese de doutorado de Michael Nott, Photopoetry 1845-2015 a Critical History (2018) já pode ser considerada um clássico na área de estudos sobre fotolivros de literatura. É um trabalho de enorme relevância, rigor e densidade.

Nott adota o termo photopoetry, relacionado aos trabalhos colaborativos entre artistas visuais e escritores (Nott, 2018, p.6). Ele afirma ter escrito “o primeiro relato crítico da fotopoesia” (Nott, 2018, p.7), articulando as interseções e sobreposições entre as histórias do livro, da fotografia e da fotopoesia, a história das relações entre representação visual e verbal. 

O que é o fenômeno foto-poesia? Sua negligência é tal que o Oxford English Dictionary não registra definições de ‘fotopoesia’ ou ‘fotopoema’, ou termos comparáveis, como ‘photopoetry’ ou ‘photoverse’. Tais termos existem, no entanto, e o primeiro uso da palavra “fotopoema” ocorre em Photopoems: A Group of Interpretations through Photographs (1936), fotografado e compilado por Constance Phillips. Pares de poemas e fotografias em forma de livro já existiam quase um século antes dos fotopoemas, embora a antologia de Phillips seja importante por sugerir que a forma merecia ser reconhecida e receber um nome distinto. (Nott 2018, p.2)

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O autor afirma que a única restrição ou exigência estabelecida na delimitação de sua pesquisa é a “interação de poema e fotografia” (Nott, 2018, p.3). Nada é excluído em seu trabalho – fotolivros, álbuns de recortes, gravuras combinadas com extratos de versos como legendas, caixas de artistas, exposições em museus e galerias e sequências estereográficas, são diferentes práticas de fotopoesia que interessam ao autor.   

[…] como e por que poetas e fotógrafos trabalham juntos. O objetivo do estudo é demonstrar como a relação entre poema e fotografia sempre foi de ruptura e serendipidade, apropriação e troca, evocação e metáfora. De meados do século XIX ao início do século XXI, o livro investiga como as práticas de trabalho entre poetas e fotógrafos mudaram e situa o meio fotopoético dentro dos contextos da economia, história do livro e foto-história. Ao postular a existência da “fotopoesia”, pretendo examinar como as diferentes práticas de trabalho entre poetas e fotógrafos informam e afetam as relações resultantes entre poema e fotografia (Nott, 2018a, p.2).

Ana Fernandes & João Queiroz

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