Tradução intersemiótica e criatividade

Um dos implantes cognitivos mais decisivos no ciborgue-artista, capaz de alterar dramaticamente “conjuntos de restrições” que caracterizam “espaços conceituais”, como paradigmas ou movimentos artísticos, é a tradução intersemiótica.

Trata-se de uma técnica de “inteligência aumentada” cuja capacidade de estender a criatividade conduz ao desenvolvimento de novos movimentos. O termo “tradução intersemiótica” foi definido pela primeira vez pelo linguista russo Roman Jakobson (1959) para descrever o que ele chamou de “transmutação de estruturas de signos, do sistema verbal para o sistema visual”.

29-de-março-oswald-de-andrade-foto-3

Nas últimas décadas, o fenômeno tem adquirido outros contornos e designações, por diversos autores, incluindo sistemas de diferentes ontologias (HQ, cinema, dança, música, teatro, jogos, etc). O que temos feito [IRG] é investigar como a tradução intersemiótica do protocubismo de Cézanne (através da prosa de Gertrude Stein), e da teoria da montagem de Serguei Eisenstein, transformaram radicalmente os espaços conceituais do modernismo brasileiro, atuando diretamente na concepção dos romances experimentais Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1933), de Oswald de Andrade. Também temos investigado as experiências intermidiáticas de Patrícia Galvão (Pagu), especialmente o Álbum de Pagú (nascimento, vida, paixão e morte), um exemplo de tradução intersemiótica das artes gráficas, e HQs, do início do século XX. 

Tamires Yukie & João Queiroz

%d bloggers like this:
close-alt close collapse comment ellipsis expand gallery heart lock menu next pinned previous reply search share star