Classes de signos de Peirce

O que Peirce chama de semiose, ou ação dos signos, possui uma vasta e variada morfologia, e inclui não apenas símbolos e signos de lei (signos legiformes), mas também eventos e qualidades. Existem três tipos fundamentais de signos, e eles são bem conhecidos – ícones, índices e símbolos. Mas o espaço morfológico dos processos semióticos inclui proto-símbolos (ex., nomes próprios) e muitas variações de processos indexicais (ex., deiticos linguísticos) e icônicos (ex., metáforas, diagramas).

Charles_Sanders_Peirce

Peirce propôs, ao longo de muitos anos, várias tipologias, com diferentes graus de refinamento. Poucos filósofos abordaram suas tipologias de signos (10, 28 e 66 classes de signos), desenvolvidas a partir de 1903, que ainda parecem obscuras, estruturalmente intrincadas e difíceis de aplicar a fenômenos empíricos. Para piorar as coisas, permanece a tendência de achar que as tipologias estendidas são ferramentas conceituais extravagantes e improdutivas.

Mas o fato é que as tipologias maduras peirceanas fornecem uma descrição detalhada de vários aspectos inter-relacionados envolvidos na semiose, incluindo a natureza intrínseca dos signos e seu efeito sobre os agentes. De acordo com as dez classes, por exemplo, um signo é feito de certas propriedades — ele é um evento ou padrão regular, em virtude do qual representa alguma qualidade, ocorrência ou lei, de modo a produzir uma interpretação de possibilidade, conexão física ou tendência baseada em regras.

Tenho abordado essas tipologias em muitas publicações (link). Ouvi, em muitas ocasiões, e em conversas com diversos estudiosos (Ransdell, Houser, De Tienne, Balat, Sandra Rosenthal), a idéia de que trata-se da mais importante seção a ser desenvolvida da semiótica madura de Peirce. Deixo esta dica, que é uma co-autoria minha com Priscila Farias — Visualizando Signos

João Queiroz

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