Reverberação de Poetamenos

Se os poemas de Poetamenos também foram concebidos para oralização (AGUILAR; CÁMARA, 2017), e Augusto de Campos considera a “reverberação” da “leitura oral” de “vozes reais funcionando como timbre”, este é mais um elemento de contato com a música de Schoenberg a relação entre timbre e altura.

Vozes distintas têm timbres naturalmente distintos e variam em faixas de alturas que respeitam as articulações de cada sílaba, e de cada vocábulo.

Para Schoenberg, não se pode indicar exatamente a diferença entre timbre e altura, como é usualmente apresentado, pois a altura é uma parte integrante do timbre e “é possível deixar com que surjam formas que denominamos melodias, a partir de timbres que se diferenciam por alturas” (SCHOENBERG, 1922, p. 506).

shoenberg

A escolha de Augusto de Campos por Webern certamente não resulta de uma especificidade conceitual apresentada por Schoenberg. Ela se baseia na recepção da obra de Webern, especialmente na América Latina. Em grande parte, deve-se a Adorno a difusão da ideia de Klangfarbenmelodie, como se reconhece em Poetamenos, que não chegaria a Augusto de Campos sem a atuação de Hans-Joachim Koellreutter.

Marta Castello-Branco, Ana Fernandes, João Queiroz

“Es ist nun möglich, aus Klangfarben, die sich der Höhe nach unterscheiden, Gebilde entstehen zu lassen, die wir Melodie nennen” (SCHOENBERG, 1922, p. 506).

AGUILAR, Gonzalo; CÁMARA, Mario. A máquina performática: a literatura no campo experimental. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.

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