O silêncio em Poetamenos

O uso do silêncio, das pausas, como um material fundamental à estruturação do poema, é um aspecto musical que Augusto de Campos transcria de Anton von Webern em Poetamenos.

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O silêncio graficamente está associado ao uso e distribuição das sílabas, palavras, sentenças, pontuação, e às cores, delimitando subdivisões de uma macroestrutura visual. Ao serem oralizados, os silêncios apresentam tanto as articulações do sistema verbal, quanto o espaço gráfico necessário à associação entre elementos formantes da obra, a separação de sílabas, que se lê repetidamente na sílaba ly de lygia fingers.

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Segundo Augusto de Campos, este procedimento torna o silêncio “audível” podendo ser equiparado ao som, e contribui para uma caracterização da obra de Webern como de uma concisão formal “sem precedentes” (CAMPOS, 1998, p. 96). 

Existem diferentes formas de silêncio no Poetamenos. Algumas estão relacionadas ao espaçamento gráfico, que são os espaços em branco na página impressa, as pausas entre as frases musicais. Esta é a forma mais notável de correlação, e é a mais mencionada. O espaçamento gráfico está diretamente relacionado a uma percepção da macroestrutura dos poemas.

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Ana Fernandes, Marta Castello-Branco, João Queiroz

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CAMPOS, Augusto. Música de Invenção. São Paulo: Perspectiva, 1998. 

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