Proposições são símbolos dicentes

Proposições são signos compostos. Para Peirce, proposições podem funcionar como muitas classes de processos semióticos, visuais, pre-linguísticos, e outros. Proposições são signos simbólicos interpretados como índices, ou símbolos dicentes — “a essência da proposição é que ela pretende ser observada como estando em uma relação existencial com seu objeto, como é um índice” (Peirce CP 4.572). Proposições são constituídas por índices e ícones. Toda proposição é formada por um, ou diversos, sujeitos (nomes próprios) e um predicado. O predicado é um signo remático, e deve ser um ícone. 

“Uma proposição consiste de duas partes — o predicado, que excita algo como uma imagem (ou sonho) na mente do intérprete, e o sujeito, ou sujeitos, cada um dos quais serve para identificar algo que o predicado representa” (MS 280:32).

Charles_Sanders_Peirce

Mais detalhadamente, e no escopo das 10 classes de signos, uma proposição é um legisigno simbólico dicente (332) (CP 2.262), um signo que está para seu objeto através de uma lei, relação que é interpretada como “existente”. O predicado de uma proposição é um signo remático, ou uma possibilidade. Para Houser (1992: 493), o predicado é um legisigno-icônico-remático. O sujeito (ou sujeitos), que são nomes próprios ou pronomes demonstrativos, são legisignos indexicais remáticos (321) (LW 22-36, CP 2.262). Aparece aqui um problema. Segundo Houser, um sujeito é um legisigno indexical dicente. Para Nathan Houser (1992: 494), “o elemento chave aqui é o elemento indexical […], mas não apenas deve o sujeito ter uma conexão real (existencial) com seu objeto, certamente ele também deve ser interpretado como estando realmente conectado com ele”. Seu caráter requer que ele seja interpretado como um signo dicente.

João Queiroz

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