Semiosis — distribuição espacial e temporal

A semiótica cognitiva de Peirce sugere um tipo extremo de externalismo cognitivo ativo — assim como para Peirce é impossível pensar sem signos, é impossível o pensamento sem a incorporação material de algum aspecto do signo. Como a semiose é um processo dinâmico, essa incorporação material é temporalmente distribuída.

A semiótica cognitiva de Peirce preocupa-se tanto com a distribuição espacial quanto temporal, mas as propriedades mais centrais e definidoras da semiose estão relacionadas à distribuição temporal:

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“dizer, portanto, que o pensamento não pode acontecer em um instante, mas requer tempo, é outra maneira de dizer que todo pensamento deve ser interpretado em outro, ou que todo pensamento é em signos” (CP 5.253).

A semiose é um processo tempo-dependente, histórico e evolutivo, e se desenvolve em várias escalas de observação. A descrição de um “signo” não corresponde à descrição de uma entidade sincrônica com substâncias, mas à descrição de um processo cujas propriedades são irredutíveis às propriedades sincrônicas das entidades que instanciam o processo. A semiose é incorporada em sistemas cognitivos distribuídos como uma tendência para gerar interpretantes. Conforme o externalismo semiótico ativo de Peirce, a cognição equivale ao desenvolvimento de artefatos disponíveis, onde se incorpora como um poder para produzir interpretantes. A cognição assume a forma do desenvolvimento de artefatos cognitivos, como ferramentas de escrita, instrumentos de observação, sistemas notacionais, linguagens, como foi salientado por Ransdell (2003), com relação à noção de inteligência aumentada.

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João Queiroz & Pedro Atã

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