Fotolivros Silent Book e Sí Por Cuba

Fotolivros são difíceis de definir. Em geral eles exibem diversas modalidades de relação entre mídias, sistemas ou processos de linguagem. Fenômenos assim são chamados de “intermidiáticos”. Há uma propriedade que os caracteriza de modo muito exemplar — co-dependência de diversos processos ou sistemas observados. Em outros termos, atributos semióticos relacionados a fotografia — significado da foto — dependem de atributos relacionados a família da fonte tipográfica, as manchas gráficas e layout, ao material físico de que é feito o livro, entre outros.

Na América Latina os fotolivros apareceram nos anos 1920. Alguns exemplos são Buenos Aires (1937), de Horacio Coppola e Grete Stern;  Dictado por la jauria (1961), de Juan Calzadilla e Daniel Gonzalez; Buenos Aires y su gente (1960), de Sameer Makarius; Retromundo (1986), de Paolo Gasparini. No Brasil, a produção se intensifica a partir da segunda metade do século XX. Vamos apresentar rapidamente duas obras muito paradigmáticas — Silent Book (2012 [1997]) e Sí Por Cuba (2005). Elas foram objeto de pesquisa de Ana Paula Vitorio, pesquisadora do IRG, cuja dissertação (Relações entre Estruturas e Processos Semióticos no Fotolivro: Estudo dos casos Silent Book e Sí por Cuba) foi defendida em março de 2015.

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A primeira (Silent Book), de Miguel Rio Branco, está listada entre as mais importantes obras da história dos fotolivros. Impresso em capa dura, com formato quadrado (195 x 195 cm), ela é desprovida de texto verbal, salvo o título, as informações técnicas e os casos em que o texto é parte do objeto capturado pela foto. As fotos incluem ginásios, bordéis, igrejas, tumbas, circos, matadouros, hospitais e dormitórios. Todas as imagens são impressas sangradas, algumas delas em folhas dobradas, permitindo que se associem a mais de uma página (e foto).

Sí por Cuba possue 47 imagens fotográficas, resultado do ensaio de Tatiana Altberg na ilha em 1999, ano da comemoração dos quarenta anos da Revolução Cubana. Com dimensões de 9 x 27.5 cm, o livro tem fotos em cor e em p&b, feitas em diversas regiões da ilha — Havana, Santa Clara, Nuevitas, Pinar Del Rio e Trinidad.

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A relação entre livro e fotografia não é inaugurada com o fotolivro. Ela remete aos primórdios do papel fotográfico. Silent Book e Sí Por Cuba são exemplos de que a equação “fotolivro = fotografia + livro” deve estar equivocada. A coisa não é tão simples. Há, nas duas obras, o que pode ser descrito como “processos irredutivelmente acoplados”. Eles exercem, uns sobre os outros, formas diversas de contrangimento. Temos chamado essa propriedade de co-dependência. Mas a maior dificuldade é metodológica. Como descrever estas relações? Há diversos pesquisadores do grupo (IRG) trabalhando neste problema. Ana Paula Vitorio, em seu doutorado, dedica-se ao estudo das associações entre livro, fotografia e artes gráficas no programa de “Literatura, Cultura e Contemporaneidade”, na PUC-RJ. Suas publicações iniciais incluem: Vitório, A.P.; Queiroz, J. (no prelo). Semiose e intermidialidade nos fotolivros Silent Book e Sí por Cuba. Discurso Fotográfico ; Fernandes, A.L.; Vitório, A.P.; Queiroz, J. (2015) Quarenta Clics em Curitiba: Os haicais intermidiáticos de Leminski e Pires. Ipotesi 19, p. 14-27 (link).

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